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Táticas de Mortos-Vivos: Carniçais e Lívidos

Texto original: The Monsters Know What They’re Doing | Undead Tactics: Ghouls and Ghasts, por Keith Ammann.

Carniçal do Manual dos Monstros, da Wizards of the Coast

Carniçais e Lívidos são duas criaturas mortas-vivas devoradoras de carne cuja história remonta até os tempos do Advanced Dungeons & Dragons, sendo os lívidos os mais perigosos dos dois. Diferente de esqueletos e zumbis, que são criados por necromantes com a magia animar os mortos, carniçais e lívidos supostamente possuem origens demoníacas. Apesar de haver uma magia disponível para personagens jogadores, criar mortos-vivos, para produzi-los também — eis um ponto no qual o conhecimento do jogo e as regras se contradizem.

Tanto carniçais quanto lívidos são imunes a venenos e a ficarem enfeitiçados ou exaustos, bem como possuem visão no escuro. Eles possuem Destreza e Força altas, nesta ordem, e são capazes de agadanhar ou morder. Seu ataque de mordida causa mais dano direto; mas o ataque com as garras tem maior chance de acertar o alvo, bem como tem chance de paralisá-lo, tornando-o incapaz de tomar ações, movimentar-se ou falar, concedendo vantagem nos ataques contra ele, bem como tornando todos os acertos em críticos. Os ataques com a garra dos carniçais não tem esse efeito contra elfos, mas os dos lívidos tem.

Apesar de suas chances de sucesso serem baixas, seu efeito potencial é tão forte que ele tem que ser considerado o principal recurso dele, exceto contra PCs elfos. Por fim, lívidos possuem a característica Proteção contra Expulsão, que lhes confere vantagem nos testes de resistência contra afastar mortos-vivos, não apenas para eles, como também para quaisquer carniçais que estejam a até 9 metros deles. Eles ainda possuem resistência contra dano necrótico, mas essa provavelmente não será a primeira escolha de seus jogadores contra eles.

No artigo anterior, eu afirmei que criaturas mortas-vivas não são impelidas pela sobrevivência, mas sim por uma compulsão — seja lá qual for a compulsão com a qual sua criação os imbuiu. No caso de carniçais e lívidos, ela é a fome pela carne dos vivos. Isso, combinado com sua Sabedoria de nível normal, sugere que eles possuem um instinto de auto-preservação mais forte que dementes como esqueletos e zumbis, uma vez que o propósito de comer é prover alimentos para continuar sua própria existência. Ela também sugere que seu objetivo é obter a carne dos vivos para alimentar-se, e uma vez que tenha conseguido, nenhum deles tem motivo para permanecer lutando.

Neste ponto, começa a se formar a imagem de como os carniçais lutam: Primeiro, uma vez que carniçais não possuem Furtividade de verdade, então eles vão pra cima de seus alvos assim que percebem a presença de uma presa em potencial — “presa em potencial” não inclui elfos, já que eles são imunes à paralisia dos carniçais. Levados por instinto e compulsão, eles não são intimidados por estarem em menor número. Portanto, eles aproximam de suas presas (o PC não-elfo mais próximo) de forma direta e atacam com suas garras. Cada carniçal repetirá este ataque até conseguir paralisar uma presa. Uma vez que isso aconteça, ele começa a lanchar, trocando os ataques com garras por mordidas, aproveitando a vantagem para acertar e fazendo de cada acerto um crítico. Isso dá 4d6+2 de dano por mordida! Eis um bom momento para um mestre mais aplicado aproveitar e divertir-se descrevendo de maneira gráfica e arrepiante como os carniçais famintos arrancam pedaços da carna dos PCs.

A vítima do carniçal tem a oportunidade de repetir o teste de resistência contra paralisia a cada turno, então, o carniçal vai querer terminar a refeição o mais rápido possível. Se um PC se recuperar no meio do lanche, o carniçal voltará a agadanhar o PC, esperando paralisá-lo novamente.

E se um outro PC chegar e começar a atacar o carniçal no meio da janta? No lugar de revidar, ele tentará arrastar seu lanche para longe. Uma vez que a vítima está completamente incapacitada, não apenas agarrada, não há nada que impeça o carniçal de usar seu deslocamento completo. Aqui, entretanto, o carniçal enfrenta um dilema entre comer e correr. Suas chances de escapar são maiores se ele usar sua ação para Disparar — e ele pode carregar um PC paralisado consigo enquanto corre. Mas cada rodada gasta correndo é uma rodada na qual seu jantar pode sair da paralisia, e um carniçal sempre está faminto. Uma vez que tenha uma vítima paralisada, ele não pode resistir à compulsão de continuar comendo. Então, o carniçal vai afastar-se de seu atacante, usando seu deslocamento completo (e, possivelmente, incorrendo em ataques de oportunidade), mas irá ainda parar para dar mais uma mordida em sua vítima. O mais provável é que o PC ativo o persiga, alcançando-o e atacando-o novamente. E isso vai fazer o carniçal reagir da mesma forma: mover-se pra longe e parar para dar mais uma mordidinha.

Este ciclo vai se repetir até que uma das três coisas aconteça: (a) o carniçal seja reduzido a 8 pv ou menos, neste caso ele Dispara em retirada; (b) o carniçal é destruído; ou (c) a vítima é reduzida a 0 pv, caso no qual o sempre faminto carniçal se voltará contra seu perseguidor e tentará torná-lo outra refeição. Como antes, ele começará pelos ataques com garra, trocando para mordidas se tiver conseguido paralisar o PC.

Se um carniçal for alvejado de longe no meio de uma refeição, no lugar de ser atacado em corpo-a-corpo, ele simplesmente ignorará o ataque e continuará comendo, a menos que seja reduzido para 8 pv ou menos. Aí, ele fugirá.

O lívido é mais inteligente e ligeiramente mais sofisticado. Ele não exclui elfos de sua definição de “presa”, e se estiver acompanhado de uma matilha de carniçais, ele identificará os PCs mais fortes e direcionará os carniçais para se juntarem em cima deles, mandando dois ou três contra um, de acordo com o número de carniçais e lívidos em relação ao número de PCs. O lívido, enquanto isso, irá atrás de um delicioso elfo. Se os lívidos e carniçais estiverem em menor número que os PCs, o lívido tentará então ir contra o PC mais forte do grupo (sabendo ser o melhor equipado para a tarefa, não apenas por sua Força e CA altas, mas também por sua característica Fedor) enquanto os carniçais irão atrás dos PCs mais fracos — mesmo valor nutritivo, menor resistência. Os carniçais sempre se manterão a 9 metros do lívido, para receberem os benefícios de sua Proteção contra Expulsão, exceto se estiverem tentando fugir com uma vítima paralisada.

Apesar de sua inteligência mais alta, os lívidos possuem a mesma compulsão carnívora que os carniçais e, consequentemente, seguirão a mesma tática de fugir com uma vítima paralisada quando atacados no corpo-a-corpo. Seu Fedor tóxico lhes oferece um pouco de proteção contra ataques de oportunidade, uma vez que um PC em alcance de corpo-a-corpo poderá ficar envenenado por ele e, portanto, terá desvantagem nos ataques. Além disso, se um lívido for atingido mais de uma vez por ataques de longe ou feitiços enquanto estiver consumindo uma vítima, mesmo que não seja o suficiente para ferí-lo gravemente (reduzir para 14 pv ou menos), ele terá sido perturbado o suficiente para se levantar e ir atrás do atacante de longe, Disparando até chegar perto o suficiente para colar usando seu movimento normal, e Atacar com suas garras.

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Próximo: espectros, infectados e aparições.

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Táticas de Mortos-Vivos: Esqueletos, Zumbis e Sombras

Texto original: The Monsters Know What They’re Doing | Undead Tactics: Skeletons, Zombies and Shadows, por Keith Ammann.

Esqueleto, zumbi e sombra, do Manual dos Monstros, da Wizards of the Coast.

A premissa do blog de onde esta série de artigos vem é que criaturas evoluídas sabem como usar as habilidades com as quais nasceram. O curioso dos mortos-vivos, neste contexto, é que eles não são criaturas evoluídas — pelo menos, não mais. A transformação em morto-vivo não apaga completamente o que um fantasma ou zumbi era em sua vida anterior, bem como não vem necessariamente com um conjunto de regras que todo e qualquer desmorto adotará. Ser morto-vivo é uma maldição e, como tal, ela cria o que eu entendo como compulsões. Isso significa que qualquer magia, influência ou evento que tenha causado uma criatura a voltar da morte também gera nela um impulso para comportar-se de uma forma que não tem nada a ver com auto-preservação. Inclusive, pela criatura já ter passado pela experiência da morte, o conceito de “sobrevivência” é completamente vazio para ela. Consequentemente, para um morto-vivo, o quão ferido ele está não influencia em nada a sua disposição para fugir, e as táticas dele tem menos a ver com a eficácia de perpetuar sua existência, e mais com a compulsão que os impele.

Dois tipos de mortos-vivos que os personagens encontrarão com frequência nos níveis mais baixos são esqueletos e zumbis. Os dois (geralmente) são ex-humanóides animados por necromancia para agirem como lacaios sem vontade própria ou personalidade. Sua compulsão é a obediência às ordens de seu controlador — o que geralmente envolve matar intrometidos. Quando ocioso, um esqueleto reverterá aos hábitos que detinha em sua vida antiga (o Manual dos Monstros oferece o exemplo de um esqueleto de um antigo mineiro que ficaria simulando os movimentos que fazia com a picareta), enquanto um zumbi simplesmente ficará parado. Os dois são bem literais ao seguir as instruções que recebem e carecem de independência para resolver problemas que surjam, apesar dos esqueletos terem maior facilidade para se movimentarem ao redor de obstáculos óbvios. Ambos lutarão até serem destruídos, independente da quantidade ou tipo de dano que recebam, ou do poderio de seus oponentes.

Como um esqueleto luta vai depender de como ele lutava em sua vida anterior. Um antigo arqueiro, por exemplo, irá instintivamente saber manter uma certa distância de seus alvos (12 a 24 metros, se possível). Um antigo duelista irá ocasionalmente usar a ação Esquiva para evitar ataques de múltiplos alvos, ou Desengajar para reposicionar-se em um terreno mais favorável. A maior parte do tempo, entretanto, esqueletos são antigos guardas ou outros manés e terão uma abordagem mais simples para o combate: aproximar, bater com a espada e repetir. Dito isto, um esqueleto com ordens de guardar uma sala, por exemplo, vai parar de combater qualquer um que saia do cômodo em questão. Ele não perseguirá, e pode até deixar de fazer ataques de oportunidade contra um oponente que esteja obviamente saindo de lá, porque ele terpa cumprido com a ordem que recebeu. Esqueletos são vulneráveis ao dano de concussão, mas eles não são capazes de tomar a decisão de evitar o PC que usa uma maça. Esqueletos pegarão armas que deixem cair, abrir portas, evitarão perigos e aproximar-se-ão de seus alvos pelo caminho mais fácil.

Zumbis não possuem qualquer traço de quem foram um dia. Eles avançam contra os alvos pelo caminho mais direto, mesmo que isso signifique avançar direto por um local perigoso. Eles não pegam armas que tenham derrubado (e mesmo caso não tenham derrubado, a menos que seu controlador os ordene a pegar o objeto). Eles podem quebrar uma porta fechada, mas jamais pensarão usar uma maçaneta. E eles perseguirão seus alvos até que morram ou seu controlador os ordene a deixar a perseguição.

Zumbis do D&D não são como os da TV: eles não comem seus vítimas, tampouco transformam elas em novos zumbis. Mas você não precisa dizer isso para seus jogadores! Sua única característica: Fortitude de Morto-Vivo, os torna incrivelmente teimosos — uma boa forma de dar ênfase a isso é fazer com que eles caiam prostrados quando o dano os reduziria a 0 pv, e depois fazer eles se reerguerem imediatamente. Fora isso, qualquer coisa que os jogadores acreditem a respeito dos zumbis, estejam certos ou errados, só pode contribuir para deixar a experiência deles bem mais intensa. Porque, honestamente, qualquer intensidade que venha de lutar contra zumbis com certeza não se deve à brilhante capacidade tática deles. Encontros com zumbis tem tantas chances de virarem uma situação de comédia quanto de empolgação; como quando, por exemplo, uma ladina focada em Acrobacia faz um zumbi perseguí-la através da janela no terceiro andar. Como mestre, você deveria sempre tentar recompensar seus jogadores quando eles bolarem formas de explorar a falha fundamental de design dos zumbis.

Uma criatura morta-viva interessante de nível baixo, e que não é tão usada quanto merece, é a sombra. Ótima para campanhas de horror, dungeons subterrâneas e outros cenários arrepiantes, a compulsão dela é sugar a vitalidade dos seres vivos, em especial aqueles de coração puro. Sombras evitam a luz, em especial a luz do sol direta (que lhes confere desvantagem para fazer tudo); correr para uma área ensolara é a única forma garantida de escapar de uma sombra. Suas outras características são Amorfo (que lhe permite passar por frestas embaixo de portas) e Furtividade Sombria (Esconder-se como uma ação bônus na penumbra ou escuridão), e ela não apenas possui uma perícia alta em Furtividade, como resistência contra uma porção de tipos de dano, inclusive dano de armas normais, e imunidade às condições mais debilitantes. Sua única fraqueza é o dano radiante, então, não apenas seu clérigo ou paladino é a vítima mais doce, como também será quem tem os melhores poderes para derrotá-la. Parece justo.

Sua perícia em Furtividade e característica Furtividade Sombria definem as táticas das sombras. Primeiro, ela aguarda uma vítima. Quando alguém aparecer, ela usa seu deslocamento e sua ação bônus para aproximar-se com Furtividade até estar com o alvo no alcance, e então ela Esconde-se. Se a ação bônus de Esconder-se for bem-sucedida, ela Ataca no mesmo turno, com vantagem, usando Drenar Força (ação). Se a ação de Esconder-se não for bem-sucedida, ela continua movendo-se, para tentar novamente na próxima rodada. A beleza desta tática é que, mesmo que os PCs percebam a sombra, o mestre pode dizer: “Você percebeu uma sombra passando perto de você” e o fato de que a própria sombra é uma criatura pode sequer ser percebido pelo jogador. Tudo o que saberão é que tem algo por aqui.

Uma vez que a sombra seja bem-sucedida atacando, ela não terá mais a capacidade de Esconder-se até sair da vista de novo (a menos que os PCs sejam tolos o bastante para saírem por aí na escuridão sem possuir visão noturna), e é aí que a compulsão dela entra em jogo: uma vez que agarre um PC, ela continuará drenando a força dele, mesmo que fugir e tentar um novo ataque surpresa seja uma tática mais eficiente. O que tem o poder de fazer uma sombra reconsiderar sua tática? Provavelmente nada menos que dano radiante, ser atingida por uma arma mágica ou um clérigo ou paladino usar um Afastar Mortos-Vivos. Se usarem alguma dessas opções contra ela, ela vai Desegajar (ação), sair das vistas, Esconder-se (ação bônus) e aguardar que sua vítima volte para uma distância da qual ela possa atacar.

Drenar Força pode ser terrível, nem tanto pela média de 9 de dano necrótico que causa a cada acerto, mas por conta dos 1d4 que ela reduz da Força do alvo a cada ataque. Sem esses pontos de habilidade, as rolagens de ataque e dano do PC serão potencialmente afetadas, bem como sua capacidade de usar certas armas e armaduras, até que o personagem complete um descanso curto ou longo — e se a Força do personagem for reduzida a 0, ele morrerá ali mesmo. Ele não apenas cairá inconsciente. Ele morrerá. Esqueletos e zumbis podem não ser lá muito assustadores para os jogadores, mas um encontro com uma sombra deveria aterrorizá-los. Eu encorajo os mestres a não ignorarem esse monstro.

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Próximo: carniçais e lívidos.

Dicas de criação de personagem para iniciantes

Texto original: Geek & Sundry | RPG Character Building Tips for Beginners, por Teri Litorco.

Crédito da Imagem: Sterlic

Se você nunca jogou RPG de mesa, criar seu personagem pode parecer tão fácil quanto personalizar a aparência do seu Comandante Shepard. Mas criar um personagem que seja tanto intuitivo e divertido de jogar é algo muito mais desafiador do que parece.

Uma coisa é escolher uma classe e uma raça – essas coisas podem afetar suas habilidades, mas esses elementos são só o acompanhamento de quem seu personagem realmente é.

O negócio aqui é que cabe a você criar e desenvolver um personagem cuja história alimente suas motivações, e que ambos elementos influenciem cada decisão que ele tome. O momento mais interessante e memorável de uma campanha ou aventura de RPG não é quando você tira um 20 na rolagem do seu teste (apesar de ser realmente bem legal) mas sim nos momentos em que você está realmente interpretando o seu personagem. É a interação entre seu personagem e os personagens dos seus colegas, o cenário e as situações desafiadores que surgem que diferenciam jogar RPG de jogar Banco Imobiliário.

Por conta disso, ter uma noção bem sólida de quem é seu personagem, suas motivações e a forma como ele toma as decisões vai te ajudar a manter a sensação de que seu personagem é consistente e genuíno. E, se você é novo nesse negócio de RPG, lembrar de uma história de vida complicada e tendência muito diferente pode ser especialmente assustador e desafiador. E isso é algo que pode te atrapalhar de alcançar a diversão de estar imerso na história.

Então, eis algumas dicas para você usar quando estiver criando seus primeiros personagens de RPG, ou ajudando seus colegas a fazerem os deles.


Dica 1: Seja você mesmo


Interpretar você mesmo num universo ficcional pode ser muito divertido. Com que frequência você tem a oportunidade de ser uma versão mais forte, rápida e poderosa de quem você é? Claro, você não precisa interpretar um personagem que seja literalmente você num outro mundo, mas pode fazer um que seja parecido, com um antecedente adaptado ao novo mundo e uma tendência leal e boa ou neutra e boa (vamos lá: você provavelmente é bom se acredita que assassinato é maligno). Isso lhe dá uma chance de ir se aclimatando ao jogo aos poucos e concentrar-se em acostumar-se com as mecânicas no lugar de , no lugar de gastar energia fazendo malabarismo com elementos complicados e uma nova personalidade. Com isso você pode já ir interpretando desde o início do jogo.

Codex é basicamente a Cyd com mais confiança e poderes mágicos.


Dica 2: Seja seu gêmeo maligno


Digamos que você está sem paciência para ser dos bonzinhos e sente que há uma versão diabólica de você que quer sair. Criar uma versão maligna de você te permite jogar com algo que parece novo e diferente, mas que será mais fácil que lidar com traços de personalidade diferentes, já que você só precisa dar ouvidos para o diabinho no seu ombro, no lugar da sua consciência.


Dica 3: Jogue com um personagem ficcional familiar


Você também pode tentar interpretar um personagem que seja familiar sem ter que necessariamente interpretar você. É fácil encontrar um arquétipo de seu quadrinho, livro, série de TV ou filme favorito. Precisa de uma maga poderosa? Tente a Willow, de Buffy, a Caça-Vampiros. Precisa de um patrulheiro calado que vive nas matas? Pense como o Chewbacca se comportaria. Encaremos os fatos: é até divertido pensar como você interpretaria o Robocop em um jogo de fantasia (claro: ele seria um paladino).


Dica 4: Fale com o seu mestre (e não apenas na criação de personagem)


Se você tiver a sorte de ter um mestre experiente, então você tem um ótimo recurso de apoio. Os melhores mestres se interessam em prover uma experiência de jogo divertida e auxiliar você a desenvolver sua personagem, não importa o momento da campanha. Essas pessoas podem te ajudar a encontrar e desenvolver ganchos de história que poderão fazer a personagem com quem joga logo parecer mais vibrante e interessante.


Dica 5: Pegue um arquétipo e um gancho de história simples e fáceis de lembrar


Equilibrar atributos, lembrar do protocolo de etiqueta de um universo diferente e tentar descobrir tudo o que seu equipamento faz pode ser bastante trabalhoso. Formule uma única sentença que descreva quem sua personagem é, de onde ela vem e quais eventos moldaram sua vida. Quando tiver dificuldades para tomar uma decisão, repita a frase que resume sua personagem e isso vai ajudar você a escolher o que fazer.

Um ótimo exemplo de como fazer isso é o site Who the $#@! is my D&D Character? (cuidado:conteúdo em inglês e com linguagem obscena). Este gerador aleatório cria personagens memoráveis cujos antecedentes e motivações estão bem claras e diretas.

Criar um personagem é importante, mas no final das contas, interpretar é ser capaz de incorporar um personagem que tenha criado, ver o mundo através de seus olhos e agir de acordo. Entrar e sair do personagem (entrar para interpretar e sair para aqueles momentos nos quais você precisa calcular se a sua rolagem passou ou não no teste) fica muito mais fácil quando você tem que lidar com um personagem mais simples. E manter essa simplicidade vai tornar suas primeiras experiências de jogo mais divertidas.

O que você acha? Que dicas você daria para jogadores novatos criando seus primeiros personagens?

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Crédito da imagem do cabeçalho: Flickr -Sterlic

Táticas do Povo Lagarto

Texto original: The Monsters Know What They’re Doing | Lizard Folk Tactics, por Keith Ammann.

Povo Lagarto do Manual dos Monstros. Da Wizards of the Coast.

Com o povo lagarto, entramos no território de monstros humanóides genéricos que são mais que meras buchas-de-canhão. Eles não são sofisticados, mas são bem mais resistentes que goblins, kobolds e orcs. De acordo com a descrição do Manual dos Monstros, sua característica comportamental mais visível é sua territorialidade, seguida por eles genericamente se comportarem como canibais dos Mares do Sul de um filme dos anos 40. Por outro lado, o texto reconhece que o povo lagarto pode, ocasionalmente formar alianças com forasteiros, mas vamos deixar isso de lado, já que não vai influenciar em suas táticas de combate.

O povo lagarto, como os orcs, são brutos: Destreza mediana, Força e constituição altas. Eles também são proficientes em Percepção e Furtividade, e eles são mais ou menos anfíbios – eles não podem respirar embaixo d’água, mas podem segurar a respiração por até 15 minutos, e de quebra podem nadar tão rápido quanto são capazes de mover-se por terra.

Baseado nesta informação, o palco mais provável para um encontro com o povo lagarto será um grupo de batedores patrulhando os limites de seu território. Eles estarão alertas para intrusos — é o motivo deles estarem perambulando. Assim que percebam invasores, eles começarão a seguí-los furtivamente (seja atrás de coberturas, se por terra, ou por baixo d’água, caso em um pântano), até estarem perto o bastante para atacar. Então, eles atacarão primeiro, surpreendendo.

A ficha deles no MdM diz que “O povo lagarto faz dois ataques corpo-a-corpo, cada um com uma arma diferente” (ênfase minha). As escolhas disponíveis são Mordida, Maça Pesada, Azagaia e Escudo com Cravos. Honestamente, as únicas combinações destes que não me parecem bobas são maça/escudo e azagaia/escudo. A estrutura corporal ereta, como de um humano, deles faz com que a ideia de se alongar para morder um absurdo, especialmente enquanto estiver manuseando uma arma de corpo-a-corpo ao mesmo tempo. Claro, é tudo cosmético, já que cada um dos ataques do povo lagarto tem o mesmo modificador (+4) e o mesmo dano (1d6+2). A única diferença é se o dano causado será concusivo (da maça) ou perfurante (de todo o resto). E mesmo isso não faz qualquer diferença a menos que o PC esteja protegido por um item mágico ou magia que forneça resistência a um dos tipos de dano e não para o outro. Seja como for, vamos apenas dizer que a ação de Ataque do povo lagarto consiste em um golpe com arma e uma pancada com o escudo e deixar por isso mesmo.

O povo lagarto não tem nenhuma característica que lhes dê ações bônus ou reações únicas, e sua Inteligência é tão baixa, que podemos presumir que eles lutarão como primitivos: eles escolhem um inimigo, batem num inimigo, e continuam até que o inimigo esteja morto ou eles estejam seriamente feridos (8pv ou menos). Neste ponto, se eles continuarão lutando depende inteiramente de eles estarem ou não em seu próprio território. Caso estejam, eles continuarão lutando até a morte. Caso não — se eles estavam patrulhando além das fronteiras, ou se estavam saqueando — eles vão Desengajar e recuar de volta ao seu território tão rápido quanto possível. Eles também Desengajarão e recuarão caso atacados por dois ou mais inimigos de uma vez. Mas eles não fogem da luta; no lugar, buscarão uma oportunidade de retornar a lutar com apenas um oponente. Instintivamente, eles sempre atacarão mantendo suas costas para seu próprio território. Eles podem fazer emboscadas, mas não flanquearão.

Ataques com armas de longa distância os confunde e magia os aterroriza. Um indivíduo do povo lagarto que seja atingido por uma flecha ou quadrelo se comportará da mesma forma que um que tenha sido atacado por dois oponentes; independente de onde veio o ataque, ele instintivamente se deslocará na direção de seu território —caso já esteja em seu território, ele se moverá em direção ao centro. Dependendo do tipo de magia, do dano causado, se o povo lagarto consegue ver o conjurador, e se ele é capaz de alcançá-lo, o lagarto irá avançar no conjurador ou fugir por sua vida. Avançar é mais provável caso ele possa ver o conjurador, a magia tenha causado danos leves (5 de dano ou menos) e/ou não há outros PCs no caminho. Fugir é o mais provável se ele não souber de onde veio a magia, a magia causou danos mais graves (14 de dano ou mais) e/ou há inimigos demais entre ele e o conjurador.

O povo lagarto nunca se rende voluntariamente: eles presumem que serão mortos. Entretanto, o povo lagarto que seja subjugado e capturado não ficará parado e tentará falar com seus captores, caso algum fale dracônico, sem demonstrar inferioridade ou vergonha. Dito isto, eles também se voltarão contra seus captores sem pestanejar caso acreditem que suas chances são boas. Um lagarto desarmado irá morder, bem como pegar o objeto mais próximo que seja capaz de usar como uma arma improvisada.

Um xamã do povo lagarto é basicamente um druida disfarçado. Ele distingue-se dos demais por sua capacidade de conjuração e habilidade de alterar a forma, estando restrito à forma de um crocodilo. Essa é uma boa forma, se comparada com a maioria das magias que ele é capaz de conjurar, mas uma em especial é tão eficiente, que a forma de crocodilo deverá ser considerada uma medida de autodefesa secundária.

Essa magia crucial é conjurar animais, que requer concentração e, portanto, impede que o xamã conjure sua segunda magia mais poderosa: constrição. Por si só, conjurar animais deveria atrasar um grupo de PCs. Ela permite conjurar um réptil de ND 2, dois de ND 1, quatro de ND 1/2 ou oito de ND 1/4. Não há um réptil de ND 1 no MdM, mas vamos olhar nossas outras opções:

  • Um enxame de serpentes venenosas
  • Quatro crocodilos
  • Oito cobras constritoras
  • Oito lagartos gigantes
  • Oito serpentes venenosas gigantes

Eu nem vou entrar na teoria do jogo, como de costume, porque essa decisão aqui deve ser baseada na resposta emocional que quer tirar de seus jogadores: você quer “Eca! Tira isso de mim!” (um quadrado cheio de Macarrão Venenoso), susto moderado (quatro Tocos Matadores boiando na água) ou um ataque de pânico completo (oito cascavéis gigantes)?

Observação: Tá. Um pouquinho de teoria de jogo: uma única criatura com ND 2 vale 450 XP, enquanto quatro monstros de ND 1/2 valem 400 XP, mas provavelmente aumentam o ajuste de XP por encontro em um passo no multiplicador — veja o Guia do Mestre, p. 82 — e oito monstros de ND 1/4 também valem 400 XP, e provavelmente subirão o multiplicador do ajuste de XP em dois passos. Do ponto de vista do conjurador, portanto, “mais” ganha de “melhor”, a menos que o bando do povo lagarto já consista em 15 ou mais indivíduos — 11 ou mais contra um grupo de seis ou mais PCs.

Portanto, a primeira coisa que um xamã do povo lagarto fará é, assim que o encontro começar, lançar conjurar animais para chamar Naguinho, Nagaína e o resto dos seus amigos. Depois disso, ele não entrará em combate corpo-a-corpo. Não que ele não possa, já que é tão forte e resistente quanto qualquer outro povo lagarto. Mas, diferente dos outros, ele é esperto o bastante para saber que se levar um golpe bem dado, ele poderá perder a concentração, e aí lá se vão as cobras.

No lugar, o xamã vai usar o truque produzir chamas, para tacar fogo nos inimigos a até 9 metros dele — incidentalmente, o dano causado será de 2d8 de fogo, no lugar de 1d8, já que ele é um conjurador de 5º nível. Seus colegas lagartos, por acaso, não terão medo desta magia — pelo contrário, já que o xamã está do lado deles, eles se sentirão mais corajosos e terão mais chances de ir pra cima de um inimigo no lugar de fugir dele ou dela. Eles também ficarão especialmente irritados se alguém se atrever a atacar o xamã deles.

Falando em conjuradores inimigos, se algum cometer o erro de se aproximar a até 9 metros do xamã, ele conjurará chicote de espinhos e o puxará, permitindo que seus amigos povo lagarto o quebrem na porrada.

E se o xamã for alvo de um atacante à distância? Ele ainda será pego desprevenido, mas sua mente ardilosa lhe concederá uma resposta adequada. Se sua concentração não for quebrada, ele vai enviar algumas das cobras (ou o que seja que ele conjurou) atrás do PC que atirou. Se a concentração for perdida, ele perderá sua principal contribuição para esta batalha e, até ele cuidar do arqueiro ou besteiro, não há muito o que ele possa fazer: a maioria de suas magias não tem alcance. Mas, já que seus colegas do povo lagarto são inúteis contra atacantes à distância, caberá ao xamã resolver o problema. Num pântano, ele poderá assumir a forma de um crocodilo, submergir e ir atrás do atirador. Numa selva isso não funcionará, já que o crocodilo só tem 6 metros de movimento sobre a terra — então um arqueiro poderia facilmente manter a distância e continuar disparando. O xamã será forçado a reconhecer que a batalha está perdida e conjurará névoa obscurescente, seja para dar cobertura à escapada do povo lagarto (caso estejam fora de seu território), seja para envolver os PCs e permitir que os lagartos se reposicionem de uma maneira mais vantajosa.

No geral, sempre que uma batalha fora do território estiver indo mal para o povo lagarto — digamos, que ao menos metade deles está gravemente ferida — o xamã irá conjurar névoa obscurescente para auxiliá-los a escapar. Dentro do território, o xamã provavelmente terá conjurado névoa obscurescente antes, para permitir que os guerreiros do povo lagarto tenham o elemento da surpresa. Se a magia for dissipada (por uma lufada de vento, por exemplo) enquanto o povo lagarto está recuando, o xamã conjurará em seguida ampliar plantas para diminuir a velocidade de seus perseguidores.

E que tal usar constrição ou crescer espinhos? Sua utilidade cai bastante num pântano ou selva, onde o terreno já é difícil. Inclusive, o fato dessas magias necessitarem de concentração força ele a escolher entre usar uma delas ou soltar um conjurar animais ou névoa obscurescente, que são escolhas claramente superiores.

O rei/rainha do povo lagarto é bem simples. Em grande parte, ele é uma versão maior e mais malvada do povo lagarto. Para seus ataques múltiplos, ele pode usar Garras/Mordida, Tridente/Mordida ou Tridente/Tridente. Vamos lá: se você está liderando um bando de gente da sua tribo carregando maças e escudos, você vai sair e mastigar seus oponentes? Não! Você vai pra lá tirar onda com uma arma mais impressionante e mostrar pra todo mundo como se faz. Seu tridente causa mais dano que sua mordida (presumindo que você o use com duas mãos, já que a ficha não menciona haver um escudo) e, além disso, sua característica Espetar só funciona com o tridente. Claro que iremos usar o tridente em ambos ataques!

Há um detalhe a ser lembrado sobre o rei/rainha: ele é imune à condição amedrontado. Nós podemos inferir disso que o rei/rainha do povo lagarto não tem medo de nada, nem mesmo dos globos de luz de Trawiodol, o Peculiar. Este Réptil da Realeza não vai fugir de conjuradores, nunca. Não, ele vai dar atenção especial e pontiaguda para o conjurador, só para mostrar para seus súditos o que separa os reis dos meninos.

Resumindo:

  • Povo lagarto usa Furtividade para aproximar-se a 9 metros de seus inimigos e então atacar com surpresa. Se houver um xamã com eles, ele conjurará névoa obscurescente para cegar os PCs e permitir que seus companheiros surpreendam os inimigos com maior facilidade.
  • Em seu turno, o povo lagarto comum vai atacar uma vez com a maça pesada ou azagaia, e uma vez com o escudo com cravos. Um rei/rainha atacará duas vezes com o tridente, usando a característica Espetar no primeiro ataque de cada turno.
  • O povo lagarto Desengaja (ação) e recua temporariamente (movimento) se atacado por mais de um inimigo ou se atirarem contra ele.
  • Povo lagarto comuns temem conjuradores inimigos e irão atacá-los (se conseguirem vê-los, a magia causar 5 de dano ou menos e/ou não houver outros PCs no caminho) ou fugirão (se eles não souberem de onde veio a magia, ela causar 14 de dano ou mais e/ou haverem muitos inimigos entre ele e o conjurador). Se eles tiverem um xamã entre eles, há chances maiores de atacarem conjuradores inimigos ou qualquer um que ataque seu xamã. Um rei/rainha lagarto atacará agressivamente qualquer conjurador inimigo.
  • Povo lagarto que estiver perdendo a batalha fora de seu território irá Desengajar (ação) e recuar de volta para o território deles. Caso estejam perdendo uma batalha dentro de seu território, eles lutarão até a morte.
  • O xamã, em seu primeiro turno, vai lançar conjurar animais, chamando oito serpentes gigantes venenosas, quatro crocodilos ou um enxame de cobras venenosas. Nos turnos seguintes, se ele puder alcançar um conjurador inimigo com chicote de espinhos (9 metros de alcance), ele puxará o conjurador para onde seus companheiros povo lagarto possam atacá-lo. Se não, ele conjurará produzir chama (2d8 de dano de fogo) e atacará alvos a 9 metros.
  • Se um xamã do povo lagarto for atingido por um atacante à distância e conseguir manter a concentração em conjurar animais, ele mandará uma das criaturas conjuradas contra o atirador. Se sua concentração for perdida e o terreno for pantanoso, ele vai Mudar Forma para a de um crocodilo e nadar até o atirador. Se o terreno for de selva, ele conjurará névoa obscurescente para envolver os PCs e permitir que o povo lagarto se reposicione.
  • Um xamã do povo lagarto dará cobertura à escapada de seu grupo com névoa obscurescente. Se a magia for dissipada, ele conjurará ampliar plantas para atrasar seus perseguidores.

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Próximo: Gnolls

A ciência do bom mestre

Texto original: Geek & Sundry | How to become a better game master according to science, por Katrina Ostrander.

A ciência do bom mestre. Por Canva.

Então, você tem uma coleção de guias para mestres, dicas do Geek & Sundry o suficientes para montar uma playlist, e um grupo de jogadores que estão felizes de serem suas cobaias. Agora, para tornar-se um ótimo mestre, tudo o que você precisa é acumular dez mil horas* de prática dessas técnicas para ser um expert da mestragem, né?

Não é bem assim.

De acordo com uma pesquisa, simplesmente ler um livro, assistir um vídeo ou ouvir um podcast e testar esses conceitos não basta para te tornar melhor. Peak: Secrets from the New Science of Expertise (uma tradução possível seria: Topo: Segredos da nova ciência da competência) por Anders Ericsson e Robert Pool detalham o processo, com números para embasar, de como se tornar bom em praticamente qualquer coisa. Você tem que praticar o que aprendeu, mas precisa adquirir essa prática da maneira correta.

Se você simplesmente fizer algo repetidamente por um longo período de tempo, você não tem grandes chances de se tornar um especialista naquilo. Você tem que tentar, falhar, recalibrar e tentar de novo. Em seu livro, os autores discutem o método que comprovadamente funcionou para os principais atletas, músicos, cirurgiões, mestres do xadrez e demais “principais” do mundo: é chamado de prática deliberada, e ele é feito para ajudá-lo a criar representações mentais mais firmes.

Representações mentais (ou formas de pensar sobre algo) são o que separam um mestre bom dos ótimos. Uma representação mental bem desenvolvida permite que o mestre faça malabarismo com elementos diferentes da trama, NPCs e a cadência da história, tudo de uma vez: eles treinam para conscientemente levarem tudo isso e mais em conta nos momentos certos do jogo. Representações mentais também oferecem aos mestres um modelo para ter uma noção de como arbitragens diferentes ou escolhas dentro da trama impactarão o jogo, o que os ajuda a tomar a melhor decisão possível quando tiverem que lidar com decisões inesperadas de seus jogadores ou resultados dos dados para os quais não estavam preparados.

Eis o que os autores de Peak dizem que você deve fazer para fazer a prática deliberada e reforçar essas representações mentais:

Defina objetivos específicos

Para fazê-lo assimilar as dicas de como mestrar, você precisa desenvolver um exercício que o ajude a praticar cada parte específica da dica que queira aperfeiçoar. Não é o suficiente ter um objetivo vago como “fazer vozes características para os NPCs”. Tenha objetivos como: “Eu vou variar a intensidade de cinco NPCs nesta sessão”, e coloque caixinhas te lembrando disso em suas anotações, para ir marcando cada vez que fizer um NPC com intensidade emocional diferente. Nas suas anotações de mestre, lembre-se de dar a cada NPC a descrição de uma voz quando está numa intensidade emocional baixa, outra para a média e uma para a alta. Da próxima vez que mestrar um jogo, adicione mais uma caixinha, e depois outra. Não pare até que tenha se tornado automático associar um tom de voz especial para cada estado emocional de cada NPC que você interprete.

No outro exemplo, imagine que seu objetivo é: “melhorar o ritmo da narração”. Preste atenção para que seja consciente quando estiver aumentando a intensidade dramática de uma cena ou quando estiver resumindo os acontecimentos dela. Quando estiver conseguindo perceber melhor este processo, experimente diminuir intencionalmente a duração de suas cenas em uma sessão. Por fim, tente alongá-las bastante e veja o que acontece.

Mantenha-se focado o tempo inteiro

Créditos da imagem: Margaret Dunham

Quando treinar em sua mesa, tenha certeza de estar realmente focado no exercício. Preste atenção no que está fazendo e no porquê de estar fazendo. Analise seu processo mental por trás de cada decisão que tome, relacionada com o seu objetivo, e tente extrapolar quais seriam os resultados mais prováveis. Escreva notas caso isso te ajude a lembrar de seus processos mentais e previsões que tinha feito antes de tentar.

Isso significa que você provavelmente terá de mestrar sessões mais curtas e focadas. Já que a sessão típica de 4 horas será exaustiva se você ficar analisando e estudando tudo o que estiver estiver fazendo o tempo inteiro. Alternativamente, você pode separar seus jogos em seguimentos de 25 minutos e tentar ficar bem focado durante esses segmentos. Qualidade é mais importante que quantidade aqui.

Incorpore as críticas e ajuste

Agora que você sabe exatamente o que está fazendo e tentou prever o resultado de suas ações, quão certo estava em seus palpites? Quão perto estava do seu objetivo? Descubra o que funcionou com seus jogadores e o que não funcionou, e depois veja a opinião deles a respeito. Peça também a opinião de mestres que você admira (e talvez os convide para uma sessão one-shot, caso não jogue com eles regularmente). Desta forma, você pode aprender se suas escolhas foram as melhores. Na próxima sessão, faça do seu objetivo não repetir os mesmos erros que detectou. Quanto mais críticas você receber e assimilar, melhor você conseguirá fazer sua auto-avaliação, aí você poderá perceber antes de fazer algo que não condiz com o resultado que queria alcançar e ajustar sua estratégia no meio do jogo.

Descubra o nível de desafio apropriado

Crédito da imagem: Margaret Dunham

Busque sempre tentar alcançar o nível além de sua zona de conforto. Isso significa aumentar gradualmente a dificuldade de seu treino, de forma que esteja sempre se esforçando para melhorar a cada sessão. Tente se manter no ponto ideal de ser desafiado pelos objetivos, mas sem ficar frustrado com suas falhas. Diminua um pouco a dificuldade caso esteja falhando em alcançar os objetivos traçados para cada sessão, e então tente novamente.

Use habilidades adquiridas no processo

Tente não esquecer o que aprendeu, adicione suas novas habilidades em sua rotina de exercícios. Desta maneira, você estará praticando também sua capacidade de manter a consciência de todos os processos de melhoria que estará praticando, o que te ajudará a tornar-se um mestre melhor. Planeje revisar seus exercícios e veja se eles ainda incorporam habilidades adquiridas em seus treinos anteriores. Se achar difícil treinar duas habilidades juntas, minimize o número de coisas que estará treinando ao mesmo tempo até chegar num ponto em que consiga manter, e à partir daí tente aprimorar sua capacidade de dar conta de executar múltiplas dicas de mestre juntas.

Ao usar essas técnicas, você deve ser capaz de perceber se está se aprimorando ou não. E você se aprimorará mais rápido com elas do que se estivesse com objetivos vagos sobre “ser um mestre melhor”.

Tente isso. E nos diga se funcionou para você no espaço de comentários abaixo!

*Curiosidade: Se você mestrar um jogo de 4 horas por semana, levaria 48 anos para alcançar o nível de expert em mestrar!

4 regras de improviso que podem melhorar seu jogo de D&D

Texto original: Geek & Sundry | The 4 Best Improv Rules to Improve Your D&D Game, por Rob Wieland.

Imagem da Wizards of the Coast

Junte-se a Dave, Molly e um grupo de criativos enquanto eles trabalham com o chat público para escrever e finalizar um sketch curto durante as duas horas do show. Entre os episódios, o sketch será gravado e será apresentado para o público na semana que vem! Acesse INT. Writer’s Room toda segunda, às 16h (PDT — meio-dia no horário de Brasília) no G&S Live!

Mestres de jogo são uma classe híbrida: um pouco escritores, um pouco produtores e um pouco atores. Os melhores sabem como raciocinar rapidamente, já que as histórias de RPG se desenvolvem à partir da ação/reação com os jogadores e suas contribuições para a ficção que está sendo gerada. Alguns poucos jogadores podem ter um Robin Williams ou Tina Fey como mestre, mas estas lendas chegaram onde chegaram graças às regras de improviso de lugares como The Second City e The Groundlings. Nós escolhemos algumas das regras mais importantes do improviso para que mestres possam aplicar em seus jogos, bem como ofereceremos algumas dicas de como usá-las em suas mesas.

Diga sim

Esta é a grande regra do improviso. Quando alguém faz uma escolha numa cena, siga com a ideia. Comumente, mestres de jogo lutam contra os desejos dos jogadores porque possuem uma visão muito específica a respeito de como a história deve se desenrolar. Isso pode significar tanto os detalhes menores, como requerer que os PCs façam algo específico para seguir com uma cena, quanto acontecimentos mais importantes, como criar tramas que os jogadores não seguirão. Quando um mestre diz “Não”, ele atrapalha a imersão no jogo por parte dos jogadores e o bom fluir do jogo.

Dizer que sim não significa dar aos jogadores tudo o que eles querem. Esta regra já apareceu em muitos locais de jogo como Diga Sim ou Role os Dados. Esta versão em particular permite ao mestre dizer que sim até que os jogadores cheguem num ponto em que a falha signifique algo mais interessante do que a mera negativa. Então, os dados são rolados e a história segue qualquer caminho que a rolagem tenha decidido.

Sim é bom, “Sim e…” é melhor ainda

Os jogadores e o mestre estão contribuindo juntos para a história que se desenvolve na mesa. Da mesma forma que os jogadores constroem e reagem à partir do que o mestre diz, o mestre deveria construir e reagir à partir do que os jogadores fazem. Pode ser muito fácil encaixar o que um jogador pede dentro de uma regra existente no jogo e dar a justificativa de que o sistema não permite. Mas e se o mestre deixar o jogador seguir com seu plano e trabalhar em cima das consequências da parada.

Esta regra também trás à tona um dos truques sujos favoritos do mestre: Algumas vezes, os jogadores bolam uma trama melhor que a sua. Mestres deveriam prestar mais atenção nestas cenas em que os jogadores voltam para uma taverna ou torre e discutem o que está acontecendo. Eles podem ter um ótimo argumento para o duque ser um vampiro, no lugar da duquesa. Eles podem lembrar um detalhe de três sessões atrás, que o mestre nem lembra mais. Construindo em cima da trama dos jogadores — dizendo “Sim, e…” para a teoria deles — não apenas os faz sentirem-se mais espertos, por descobrirem o que está se passando, como também oferece uma transição mais tranquila entre as cenas.

Faça afirmações

Construir uma história requer que os elementos da história estejam no lugar certo. O mestre geralmente é o primeiro a afirmar algo sobre a história porque é ele quem bolou a trama básica. Perguntar aos jogadores pode ser uma boa forma de conseguir ideias, mas no final das contas é o mestre quem diz o que tem na sala em que eles entraram, ou como o castelo daquele lorde é. Estas afirmações sobre a história podem ser grandes ou pequenas.

Há nisso um elemento de confiança com o qual muitos mestres de primeira viagem têm dificuldade. Pessoas novas no RPG comumente falam sobre como elas têm medo de dizer ou fazer coisas por acharem que estarão erradas ou poderão fazer feio na frente dos outros. Mas ninguém sabe que você estragou tudo até que você deixe que eles saibam. Mestres não são infalíveis, mas enquanto mantiverem-se confiantes de suas escolhas e apresente-as de maneira confiante, o jogo manterá seu ritmo normal.

Não há erros

Numa cena de improviso, não há tempo para voltar e corrigir o que aconteceu. Tudo acontece numa dinâmica sempre em frente. Sessões de Dungeons & Dragons também possuem esta dinâmica. Parar para olhar uma regra ou característica de classe pode matar todo o embalo do jogo. Então, algumas vezes, é melhor que o mestre tome uma decisão na hora em que a dúvida surge, e depois dele pare para verificar se fez uma escolha correta.

Decisões, não regras permite que o mestre seja flexível na mesa, mas ele ainda deveria levar um tempo após a sessão para explicar aos jogadores se a decisão dada no jogo foi correta ou não. Está tudo bem interpretar uma regra de uma forma numa hora e depois mudar o seu entendimento depois, desde que essa mudança de entendimento seja claramente comunicada para os jogadores.

Assista e veja como o pessoal do INT. Writer’s Room no Twitch usar essas regras para fazer seus sketches funcionarem!

Qual a sua regra favorita de improviso? Nos fale nos comentários.

Rob Wieland é um autor, game designer e nerd profissional. Ele escreve sobre kaiju, Jedi, gângsters, elfos, Vulcanos e às vezes isso tudo junto de uma vez. O blog dele é esse, o Twitter é esse daqui, e seu corpo físico pode ser encontrado na bela Milwaykee, WI.

5 formas de usar os Planos como elementos da trama & cenários

Traduzido do original: 5 Ways to Use the Planes as Plot Devices & Setting no site Tribality.com. Por: Ben J. Latham

Os Planos

D&DOs planos são as dimensões básicas que formam o multiverso no qual um jogo típico de D&D de passa. Eles (normalmente) descrevem a criação do universo, a existência de uma pós-vida e servem como o local de procriação de metade dos monstros do livro. Pode ser que você não queira essas questões esclarecidas em seu cenário. Também é possível que seus planos sejam inexistentes ou apenas não-descobertos. Hoje vamos colocar os planos sob O Olho do Beholder e veremos quando é apropriado usá-los como elementos da trama e cenários em uma campanha.

Vale Nentir | Os Planos
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No Olho do Observador: Gênios Malignos

Traduzido do original: In the Eye of the Beholder: Evil Genies no site Tribality.com. Por: Ben J. Latham

EfreetiOlá e bem vindo ao Olho do Observador. Nesta nova coluna eu vou oferecer uma abordagem em duas partes de um tópico: primeiro dissecando o conhecimento e narrativa, oferecendo dicas de mestre relacionadas; depois oferecendo exemplos de regras (normalmente voltadas para a 5e, mas posso ter algum material de referência da 3.5) baseadas no assunto. Meus tópicos incluem monstros, tesouros, dungeons, facções e todas as diferentes ferramentas à disposição do Mestre para construir campanhas e aventuras. Sem mais, eu apresento-lhes o artigo inaugural do Olho do Observador!

Um gênio é um ser planar resultante da infusão de energia elemental em uma alma humana. A criatura resultante não retém as lembranças correspondentes ao dono da alma, entretanto, ela manterá o gênero e as características de personalidade de quem era antes. Desta vez eu vou inspecionar os gênios malignos com o Olho do Observador e ver como podemos usá-los em nossas campanhas!
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Mestre uma campanha no Vale Nentir usando o D&D 5ª Edição

Traduzido do original: Run a Nentir Vale Campaign for D&D 5th Edition no site Tribality.com. Por: Shawn Ellsworth

Shadowmire. Fonte: Monster Vault – Threats to the Nentir Vale

D&DNa semana passada, eu me surpreendi ao ver o Vale Nentir na lista de cenários da pesquisa de D&D mais recente, ao lado de Greyhawk, Eberron e outros cenários grandes. Vê-lo na pesquisa me deu esperanças do cenário padrão da 4ª Edição receber suporte oficial no futuro (mas eu não apostaria nisso). Um dos principais pontos fortes do Vale Nentir como um cenário é o fato dele ter menos material escrito a respeito dele do que Forgotten Realms, Eberron, Greyhawk, Dragonlance e Dark Sun. Isto pode ser um grande benefício, uma vez que a maioria dos mestres pode conhecer o cenário rapidamente, sem ter que carregar uma bagagem enorme com diversos livros de cenário, romances, quadrinhos e videogames. Muitos dos detalhes a respeito do cenário são deixados propositalmente vagos e misteriosos, dando bastante espaço para que o mestre preencha o cenário com sua própria imaginação.

Vale Nentir | Os Planos
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Bladesingers – os campeões do modo de vida élfico

D&DBladesingers são campeões de sua raça. Eles buscam tornarem-se exemplos vivos de tudo aquilo que os elfos representam: arte, graça, beleza, magia e mortalidade. Seguindo um treinamento rigoroso, eles aprenderam a misturar a maetria sobre armas e magias para tornarem-se guerreiros mortais. Tudo isso para serem agentes importantes das causas de sua raça. Dedicando suas vidas à lutar pelos elfos e jurando livrar o mundo dos inimigos de sua raça. O caminho do bladesinger é bastante nobre, mas também é um caminho bastante difícil.

Eis um breve guia de como fazer um com as regras disponíveis do D&D 5e.
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