Táticas Monstruosas

Texto original: The Monsters Know What They’re Doing | About This Blog, de Keith Ammann.

Imagem do Volo’s Guide to Monsters. Da Wizards of the Coast.

Qualquer criatura que tenha evoluído para sobreviver num dado ambiente instintivamente sabe como fazer o melhor uso possível de suas adaptações.

Este parece ser um princípio bastante simples e direto, não? Ainda assim, é comum monstros nas campanhas de Dungeons & Dragons não conseguirem segui-lo.

Sem dúvida, isso se dá porque muitos de nós começamos a jogar D&D quando éramos adolescentes (ou até antes disso) e não tínhamos muita experiência sobre o funcionamento do mundo. Ou nós conhecemos o D&D como adultos sem noção de táticas militares, artes marciais, biologia ou jogos de simulação tática; então não consideramos como forças e fraquezas relativas, o ambiente e a vontade de sobreviver afetam como uma criatura luta, caça ou se defende. Por consequência, nós pensamos o combate como uma situação na qual dois oponentes se golpeiam/atiram/agadanham/mordem até que um caia ou fuja.

Eu aprendi isso do jeito difícil, jogando o jogo de computador XCOM: Enemy Unknown. De novo, de novo e de novo, eu era massacrado. Mesmo nos níveis mais fáceis. O que eu estava fazendo errado? Eu não fazia ideia. Mas, graças a muitos anos aprendendo sobre como aprender, eu finalmente descobri que eu estava perdendo porque não sabia que tinha algo que eu não havia aprendido. XCOM me ensinou uma lição valiosa: eu não entendia nada de táticas para pequenas unidades. Então, eu comecei a ler a respeito. E minha experiência com o XCOM melhorou como num passe de mágica.

Sociedades primitivas encaram batalhas avançando diretamente e se atacando. Soldados treinados não. Eles usam armas de longo alcance e disparam de trás de coberturas. Eles tentam ocupar terrenos elevados, de onde podem ver mais distante e é mais fácil de atirar ou fazer investidas. Enquanto um soldado ou time de assalto se move de cobertura em cobertura, outro fica para trás observando os perigos; e então eles trocam. Eles aprenderam isso após séculos de experiência com o que funciona numa batalha e o que não.

De maneira similar, um leão ou um crocodilo poderia acabar com qualquer um numa luta direta. E mesmo assim, eles não nos atacam do nada. Eles usam cobertura e furtividade, atacando quando estão próximos o bastante para garantir que tenhamos poucas chances de fugir. Um crocodilo não é rápido o bastante para nos perseguir, e um leão se cansaria se nos desse muita vantagem numa corrida. Por outro lado, ursos pretos e pardos, que também são mortais – e são rápidos o bastante para nos pegar em qualquer corrida – não são nada furtivos. Por quê? Porque, basicamente, eles não caçam. Eles são carniceiros, coletores e pescadores. Seu ambiente é diferente, sua dieta é diferente; portanto, seus hábitos são diferentes.

Então, o quê num jogo de D&D diferencia goblins de kobolds, de orcs, de homens lagartos? Na maioria das campanhas, nadinha. Eles são todos humanóides de nível baixo que fazem “Raaaarrgh! Ataca, ataca, ataca!” e, então – se os personagens jogadores estão acima do 2º nível – são facilmente derrotados. Eles são todos buchas-de-canhão. Só muda a embalagem.

Só o fato deles serem espécies diferentes já deveria ser uma dica de que eles deveriam se comportar de formas diferentes. E uma das coisas ótimas da quinta edição do D&D é que não apenas os valores de habilidade, mas também as perícias e demais características são detalhadas com precisão. Essas perícias e características, junto com o texto descritivo no Manual dos Monstros, nos dão dicas de como esses monstros deveriam lutar.

Ao longo de um jogo de D&D, entretanto, o mestre deve tomar uma decisão atrás de outra, reagindo às ações dos jogadores – e quão melhores os jogadores, mais imprevisíveis são suas ações! – e não demora muito para que a preguiça determine essas reações. É fácil, até para o melhor mestre, permitir que o combate se degrade ao ponto de virar os monstros indo diretamente até os PCs e fazendo “Raaaarrgh! Ataca, ataca, ataca!”.

O jeito de evitar isso é planejar o máximo dessas decisões antes do início da sessão, como um soldado treinado – ou um atleta de sucesso, ou um músico – faria: apoiando-se nos reflexos desenvolvidos em muitas horas de treino e exercício, da mesma forma como um animal age de acordo com o instinto que ele desenvolveu ao evoluir. Um leão não espera até o momento em que vê um rebanho de deliciosas gazelas para pensar a melhor forma de pegar uma; um soldado não tira para ler seu manual de estratégia só quando ele já está sob fogo inimigo; e um mestre não deveria decidir como os bullywugs se movem e atacam apenas quando os PCs acabaram de encontrar uma dúzia deles.

Esta série foca em:

  • Mestres iniciantes, especialmente mestres mais jovens e adultos com pouca ou nenhuma experiência com jogos estratégicos.
  • Mestres intermediários que estão buscando novas formas de conferir mais charme e desafio para seus jogos.
  • Mestres avançados, que poderiam sacar isso tudo numa boa sozinhos, mas estão ocupados demais para fazê-lo.
  • E jogadores. Sim. Jogadores! Eu não vejo problema nenhum em dar uma olhada aqui procurando informações. Se seu mestre está usando essas dicas, ele vai tornar a vida de seus personagens mais difícil. E eu não quero que eles sejam massacrados como eu fui em minhas primeiras partidas de XCOM. Se você sabe o que seus personagens estão enfrentando, você pode começar a planejar como reagir ao que eles farão. E isso é parte da graça do D&D.

….

Amanhã: algumas premissas básicas para monstros, de acordo com suas habilidades e características.

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Sobre CF

A fellow brazillian player.

Publicado em 13/09/2017, em Tradução e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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