Pactos Infernais – parte I

D&DVou começar agora uma série em três partes explorando a opção de Pacto Infernal dos Bruxos da nova edição do Dungeons & Dragons. Obviamente, as informações presentes aqui são todas ficcionais.

Sem mais delongas, aí vai:

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Mortais possuem essa terrível fascinação a respeito dos seres dos planos inferiores. Apesar dos perigos óbvios de buscar audiência com uma criatura cuja existência é quase inteiramente dedicada a corromper e/ou destruir toda a realidade, o que inclui o próprio indivíduo que tenta o contato, os mortais persistem em tentar estudar e eventualmente fazerem contratos com seres infernais.

Os Pergaminhos Negros de Ahm por Anne Stokes. Fonte: Fiendish Codex I: Hordes of the Abyss

Os Pergaminhos Negros de Ahm por Anne Stokes. Fonte: Fiendish Codex I: Hordes of the Abyss

Realizando perigosos rituais, pesquisando pelos nomes verdadeiros de seres demoníacos e até mesmo convocando diabos para andarem no mundo material. A maioria dos mortais não faz idéia do perigo para si, e para os próximos, que suas ações representam até ser tarde demais.

A maioria que tenta realizar um pacto com um ser infernal termina sendo arrastado para o inferno; possuído e depois arrastado para o inferno; ou causando grandes catástrofes pelo uso irresponsável de seus poderes, sendo morto e arrastado para o inferno. Gostaria de dizer que os Bruxos são indivíduos inteligentes que não fazem parte deste grupo de desafortunados. Mas para quê tentar enganá-lo? A alma do Bruxo já teve seu destino final selado no momento do pacto.

A Conexão

Excetuando Erinyes e Succubi/Inccubi, seres infernais não têm muito interesse em visitar o Plano Material Primário. Eles têm preocupações maiores na guerra milenar dos diabos contra os demônios, bem como nos estratagemas políticos de suas próprias sociedades. Claro que almas mortais são um recurso poderoso para estes seres, mas eles geralmente possuem ferramentas próprias para adquirí-las sem ter de gastar suas energias para conseguirem sair dos planos inferiores.

E justamente por sua insignificância diante dos habitantes dos seres inferiores, mortais que queiram realizar um pacto precisam dar um jeito de chamar a atenção de seus futuros patronos.

Foul Summons, por Kieran Yanner. Fonte: Fiendish Codex II.

Foul Summons, por Kieran Yanner. Fonte: Fiendish Codex II.

Uma das formas mais fáceis de conseguir contatar um ser infernal é convocando-o para o Plano Material Primário. Rituais de invocação de seres infernais específicos estão espalhados em muitos livros antigos, em sua maioria resquícios de uma época na qual os seres dos planos inferiores e mortais negociavam com maior freqüência. Posto que encontrar tais tomos exige muita habilidade de pesquisa, mortais que fazem acordos com seres infernais normalmente são indivíduos mais inclinados aos estudos e pesquisa. Porém, é comum rituais deste tipo permitirem livre passagem entre os mundos para estas criaturas por períodos longos, que variam de um ano e um dia a até sete ou treze anos. E é por conta deste período de livre passagem que surgem as histórias de seres demoníacos que tiveram sua atenção chamada por mortais que jamais pensaram em contatar os habitantes dos planos inferiores.

Muitos cultos malignos tiveram seu início com as maquinações de algum ser infernal aproveitando-se de seu período de livre passagem pelo Plano Material Primário.

Convocação fácil demais

Pode parecer estranho um mortal sem treinamento arcano ser capaz de trazer para este mundo um ser infernal tão poderoso quando são necessários anos de estudos mágicos para aprender a convocar um abishai qualquer. A diferença está no processo.

Uma magia de convocação vasculha os planos inferiores atrás de qualquer ser infernal que atenda os parâmetros amplos especificados pelo conjurador (normalmente magnitude de poder e nada mais), arrasta ele para o Plano Material Primário contra a sua vontade, e o força a obedecer os desmandos do convocador – mesmo que isso signifique sua morte (que não é permanente, pelo menos não quando um ser infernal é morto no Plano Material, mas é bastante incômoda e tem seus prejuízos).

Já um ritual de chamado de um infernal específico é um método muito mais simples: a pessoa detém um dos nomes de um ser infernal específico e usa o poder contido naquele nome, sendo dito de dentro do Plano Material Primário para fora, para abrir uma passagem exclusiva para aquele ser atravessar sem esforço a barreira entre os dois mundos. Ele vem se ele quiser, quando quiser, com a única obrigação de te conceder uma audiência e não agir diretamente contra você pela duração da audiência. Além disso, ele está livre para fazer o que quiser pelo período em que tiver livre passagem por este mundo, o que inclui não fazer pacto algum e até mesmo matar quem o convidou logo após o final da audiência. Mas, claro, não há vantagem alguma nisso e dificilmente qualquer ser infernal se daria ao trabalho de matar o mortal que lhe abriu uma porta para o Plano Primário gratuitamente.
Enfim, um ritual de convocação de um ser infernal específico é incrivelmente mais simples que um complexo feitiço de convocação justamente por não ter salva-guarda alguma para proteger o conjurador e dominar a vontade do ser convocado.

A Barganha

Uma vez feito o contato inicial com a criatura do reino inferior que lhe concederá a audiência, o processo de barganha pode ser iniciado. Normalmente, rituais de convocação descrevem que, tão logo a criatura esteja presente, o indivíduo que realiza o ritual deve proferir maldições perniciosas que abater-se-ão sobre quem quebrar com o que for estipulado no pacto a ser feito e exaltar a grandiosidade e os principais feitos do ser infernal que foi convidado para este mundo. E que tais palavras magicamente obrigam a criatura dos mundos inferiores a cumprir com sua parte no acordo.

Diabolical Adjucation, por Dave Allsop. Fonte: Fiendish Codex II.

Diabolical Adjucation, por Dave Allsop. Fonte: Fiendish Codex II.

Isso é balela.

Nenhum diabo, demônio ou yugoloth é realmente obrigado magicamente a cumprir com sua parte de um acordo. Pelo menos não sem uma magia específica que o obrigue. E apenas os diabos realmente são obcecados por cumprirem com suas promessas. Mas isso tem mais a ver com sua natureza ordeira que coerção mágica.

Porém, especialmente no caso de um pacto de concessão de poderes de Bruxo, não é vantajoso para o ser infernal retirar os poderes que investiu naquele mortal. Há um custo de poder para retirar os poderes investidos (que não voltam para o patrono), além da perda daquela fonte de essência vital, já que toda vida que um Bruxo ceifa é dedicada à glória do ser infernal que lhe concedeu os poderes e, portanto, representa um ganho para o patrono.

Ainda assim, jurar que vai cumprir com sua parte do acordo e massagear o ego de seu futuro patrono infernal com certeza aumenta suas chances de conseguir negociar um pacto com aquela entidade. Então, poucos são os candidatos a Bruxo irresponsáveis o bastante para destratar o ser infernal que querem convencer a conceder-lhes parte de seus poderes.

Dito isso, é bastante enriquecedor para o jogo o Mestre e o jogador tentarem bolarem conjunto algumas regras a serem seguidas pelo personagem Bruxo, bem como a forma como ele se relaciona com seu patrono. Feito isso, o Mestre deve secretamente planejar os motivos reais do patrono ter aceito conceder estes poderes ao personagem. Não precisa ser nada complicado, mas tem de ser algo maligno. Afinal, estamos falando de seres vindos das entranhas dos planos inferiores.

Ele pode desejar ter um agente levando sua vontade pelo Plano Material Primário. Ou simplesmente ter alguém para arrecadar energia vital em sua glória, como se fosse um fundo de investimento. Talvez ele queira um bode expiatório que ele possa direcionar a fazer algo contra algum concorrente seu sem dar chance para a coisa virar um conflito aberto. E, secundariamente, ele sempre vai querer direcionar o mortal que apadrinhou para que torne-se um indivíduo maligno como ele (leal e mal no caso de um diabo, neutro e mal no caso de um yugoloth ou caótico e mal no caso de um demônio), assim, quando seu revestido de poder morrer, seu espírito poderá renascer no plano inferior do patrono, onde ele será condenado a permanecer servindo seu antigo chefe por toda a eternidade. Um tipo de lealdade muito raro nos planos inferiores.

Basta lembrar: seres infernais são malignos. Patrono algum concederá poderes por pura bondade de seu coração ou para permitir que o Bruxo saia pelo mundo distribuindo justiça. Eles fazem um investimento. E vão esperar retorno.

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Por hoje é isso. Na segunda parte vou falar um pouco sobre os tipos de seres infernais que podem ser patronos. E na terceira vou listar alguns exemplos de patronos pré-prontos para serem usados.

O que achou até agora? Alguma sugestão?

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Sobre CF

A fellow brazillian player.

Publicado em 29/06/2015, em Original e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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