Guia do Bárbaro parte I – A força, a magia e a fúria

D&DQuando falamos em bárbaros pode haver uma pequena confusão. O termo pode servir tanto para indivíduos dotados da classe de personagem Bárbaro, quanto para aqueles vindos de sociedades à margem das grandes civilizações, comunidades denominadas como bárbaras. É claro que nem todo mundo crescido numa sociedade bárbara adota a classe Bárbaro. De fato, por ser uma classe de aventureiro, a tendência é que hajam poucos indivíduos dotados da classe em qualquer comunidade.

Porém, mesmo sem terem todos a mesma classe, todos os indivíduos daquela sociedade são bárbaros. É a comunidade na qual eles vivem que os define, a cultura de onde tiram suas tradições. E justamente por bárbaros serem definidos em grande parte pelos territórios de onde vêm e pela cultura na qual foram criados, vamos discutir um pouco estes elementos e seu impacto sobre um personagem bárbaro – seja ele dotado da classe bárbaro ou não.

O Caminho do Bárbaro

Fonte: Livro do Jogador 3.0

Fonte: Livro do Jogador 3.0

Bárbaros são indivíduos, normalmente, vindos de uma comunidade bárbara e/ou terreno inóspito. Por originarem-se de ambientes onde a violência é um recurso válido, eles comumente buscam o poderio físico como uma forma de angariarem respeito entre seus pares e garantirem sua sobrevivência. Quanto maior e mais forte que aqueles ao seu redor, menores as chances de disputarem a palavra de um bárbaro ou desafiarem-no. E há vantagens claras em evitar combates quando você vive numa sociedade sem hospitais e com menos hábitos higiênicos.

Esta dedicação à força desde cedo faz do bárbaro um oponente extremamente focado no combate. E apesar de ser importante deter o poderio necessário para superar oponentes, ser capaz de suportar castigos físicos também é. Afinal, seus oponentes também tentarão ferí-lo, e muitos dos predadores naturais das terras bárbaras usam táticas de matilha para irem aos poucos minando a resistência de seus alvos, além de comumente atacarem à noite, quando suas vítimas já tiveram um dia inteiro de atividades para cansá-la.

Tudo isso leva os bárbaros a geralmente respeitarem bastante a força. Seja ela força física ou habilidade combativa que se manifeste de outra forma. Derrotar um bárbaro em duelo justo (e entenda como justo: apenas os dois e sem magia) talvez seja a forma mais rápida de conseguir o respeito dele. A expressão “A justiça provém da força” é um ditado comum em muitas comunidades bárbaras. Quando as normas sociais não se aplicam, o modo natural é o estabelecimento de uma hierarquia baseada na capacidade de sobreviver aos seus inimigos. Provar que um indivíduo pode sobreviver a um combate com o bárbaro comprova para ele que tal indivíduo está mais apto a sobreviver, portanto, merecedor de respeito.

Engana-se quem acredita que esta fixação pelo poderio físico seja a prova de que os bárbaros buscam a força como um fim. A força e resistência física são apenas os recursos mais disponíveis e confiáveis dos quais ele dispõe para alcançar o seu real objetivo: sobreviver. E quando a sua sobrevivência, ou a sobrevivência de sua comunidade, está em jogo, um bárbaro é capaz de fazer qualquer coisa que esteja ao seu alcance.

Bárbaros com magia

Numa sociedade bárbara nem todos os indivíduos são da classe Bárbaro. E por isso é natural perguntar-se: e o papel dos usuários de magia na comunidade? É comum nas histórias deste tipo haver a figura do xamã, e em algumas há ainda druidas, bruxos, adivinhos. Estes indivíduos não buscam o poderio físico para resolver suas disputas.

E esse é o “X” da questão. Tais indivíduos normalmente ficam à margem da sociedade ou possuem uma estrutura hierárquica própria. O xamã da vila dificilmente será chamado para um julgamento por combate por raramente envolver-se na disputa hierárquica ou territorial dos demais membros da comunidade. O druida segue o mesmo esquema. Eventuais bruxos e adivinhos comumente são considerados homens santos, e mantidos separados da sociedade por sua relação única com o sobrenatural.

Estas pessoas não buscam o poderio físico como ferramenta de sobrevivência por deterem na astúcia e intimidade com as forças sobrenaturais os recursos necessários para garantirem-se em ambientes inóspitos. Apesar de poderem viver no meio da comunidade, filosoficamente, eles trilham um caminho completamente diferente. E isso se reflete na forma como as sociedades bárbaras normalmente os tratam. Ninguém quer matar ou cortar recursos daqueles que aplacam os maus espíritos e avisam a comunidade sobre profecias e maus augúrios. Seria arriscar a sobrevivência de todos os membros da sociedade.

Claro. Existem indivíduos que não se importam com isso. Bem como usuários de magia que aproveitam-se desta imunidade e posição de respeito. Mas isso é um problema com o qual os membros daquela sociedade terão de lidar.

A Natureza da Fúria

Fonte: Complete Warrior

Fonte: Complete Warrior

Para qualquer observador comum, quando os bárbaros entram em fúria, eles transformam-se em máquinas de matar. Desferindo golpes sem qualquer técnica, lutando sem armadura e sem uma formação, atacando e correndo pelo campo de batalha sem seguir qualquer espécie de ordem. Viram verdadeiros animais.

Já os bárbaros vêem o estado da fúria de maneira completamente diferente. Eles não tornam-se máquinas de matar inconseqüentes, mas sim deixam fluir a partir de seu corpo todo o poder primal que permeia as terras dele e de seus ancestrais. É como se ele entrasse num transe e fosse possuído por uma força da natureza com a qual ele é muito familiar.

Ele pode ver isso como uma conexão com o animal totêmico que representa seu povo ou um aspecto de sua sociedade. Bárbaros que acreditam nisso podem adotar os maneirismos do animal em questão, bramindo como um urso ou circulando sua presa como uma pantera.

Tal conexão também pode ser não com um animal espiritual, mas sim com os ancestrais do bárbaro. Ao entrar em fúria, ele pode estar personificando antigos heróis ou deuses menores relacionados à sua comunidade, deixando que seus espíritos guiem sua mão na batalha. Ou talvez ele detenha o sangue dos antigos campeões de sua civilização, e entrar em fúria seja apenas uma manifestação de sua linhagem. Ou ainda, sua fúria pode ser a fúria contida de todo o seu povo contra as injustiças que eles têm sofrido nas mãos das sociedades ditas civilizadas. E ao despertá-la, ele consegue transformar-se momentaneamente num instrumento de vingança de seus ancestrais: chegando ao ponto de gritar insultos e gritos de guerra há muito esquecidos (quem sabe, até em outra língua).

Ou então, ao entrar em fúria, o bárbaro pode personificar a própria força destrutiva da natureza. A força inexpugnável dos mares, a violência das tempestades, o poder destrutivo do vulcão. E enquanto estiver neste estado, ele não terá sua raiva aplacada até ter derramado tanto sangue quanto possível. Um bárbaro que tenha esse tipo de fúria pode sempre avançar em frente, golpeando quem estiver em seu caminho, como se fosse uma onda avassaladora; ou fazer como um furacão e simplesmente avançar para o meio de seus inimigos e começar a distribuir ataques a todos aqueles ao seu redor.

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Esse texto é o primeiro de uma série que planejo tornar um livro eletrônico. O que achou até agora? O que mais gostaria de ver a respeito dos Bárbaros?

A continuação, O Meio e o Indivíduo, já está disponível para leitura.

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Sobre CF

A fellow brazillian player.

Publicado em 18/06/2015, em Original e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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